Deputado defende mobilização nacional pela Emenda 29

 

13/09/2011 20:50

Deputado defende mobilização nacional pela Emenda 29

 

Saulo Cruz
Bate-papo com o dep. Darcísio Perondi (PMDB-RS) sobre a regulamentação da Emenda Constitucional 29, que fixa percentuais mínimos a serem aplicados em saúde por estados, municípios, Distrito Federal e União
Deputdo Darcísio Perondi durante o bate-papo da Agência Câmara.

O coordenador da Frente Parlamentar da Saúde, deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS), defendeu hoje que a população se mobilize ao longo das próximas semanas para garantir mais investimentos na saúde. Durante bate-papo promovido pela Agência Câmara de Notícias sobre a regulamentação da Emenda Constitucional 29 (Projeto de Lei Complementar 306/08), Perondi pediu todo o apoio possível para a questão. “Haverá uma comissão geral na Câmara, na próxima terça-feira, para discutir o problema, envie e-mails, ponha no seu twitter, mande sua liderança para Brasília”, propôs.

Em resposta à internauta Juliana Geraldo, Perondi afirmou que a frente da saúde pretende reunir no dia 27, às 10 horas, cinco mil pessoas na Esplanada dos Ministérios para sensibilizar a presidente da República, Dilma Rousseff, sobre as mortes que acontecem no serviço público por falta de atendimento. “Se você mora aqui em Brasília, chame seus amigos. Inunde os e-mails dos deputados com essa questão. Nós podemos, pelas redes sociais, derrubar as barreiras econômicas e a insensibilidade governamental”, acrescentou.

A regulamentação da Emenda 29 será discutida em comissão geral da Câmara.

Para Perondi, apenas com muita movimentação a saúde conseguirá mais investimentos. “O governo e o Congresso só agem quando a mídia pauta, e a mídia pauta quando toda a sociedade se envolve. O caminho é internet, e-mail, rede de amigos, Orkut, Twitter, Facebook, cutucar seu vereador, seu deputado”, reforçou. Perondi anunciou também que seu partido, o PMDB, está realizando uma campanha junto aos filiados para esclarecer a população sobre a Emenda 29.

Alternativas
Perguntado pela internauta Marcela se os deputados iriam analisar alternativas de financiamento para os estados, Perondi respondeu que a maioria dos estados já cumpre a regulamentação da emenda. Segundo o deputado, 13 unidades da federação ainda desrespeitam a norma, sendo Minas Gerais e o Rio Grande do Sul os casos mais graves. “Dinheiro tem, é só fazer as devidas escolhas”, disse Perondi.

Em resposta ao leitor Nairo, o parlamentar explicou que a União repassa atualmente para os estados o equivalente a 6,5% do seu orçamento. No início da vigência da Emenda 29, a União investia quase 10% do seu orçamento em saúde. Hoje, o valor está em 7%. “Aumentou a população, as mazelas aumentaram, as cidades continuam sem água e o dinheiro da saúde diminuiu”, protestou. Segundo Perondi, a solução para o problema é garantir a contribuição da União em 10%.

Carga tributária
Perondi criticou as propostas que condicionam a regulamentação da emenda à criação de um novo imposto. Perguntado pelos internautas Roberto, Fábio e Azevedo sobre como aumentar as verbas para o setor sem aumentar a carga tributária, ele afirmou que bastaria diminuir a taxa de juros. “A arrecadação basta”, disse.

Para o deputado, trata-se de uma questão de escolha governamental. “O governo, principalmente nos últimos 4 anos, fez escolhas pelo capital. Empresta dinheiro do Tesouro via BNDES a 6% ao ano. Esse dinheiro é venda de títulos do Tesouro, que o governo remunera a 12%. Isso dá um custo de R$ 20 bilhões por ano, que o contribuinte paga”, explicou .

O coordenador da frente da saúde criticou também ações que não considera prioritárias, como o que chamou de “teimosia do trem bala, que custará R$ 60 bilhões ao Tesouro”, e a forma com que o programa “Minha Casa, Minha Vida” tem sido implementado. “Quem pega esse dinheiro não é quem vive em favela, é a classe média e média alta”, lamentou.

Os leitores Júnior e Malta Jr. concordaram com o parlamentar. Como lembrou Malta Jr., se o governo assumir o compromisso de cumprir os 10% da Emenda 29, ele estará investindo no social, criando mais empregos, melhorando a infraestrutura e garantindo maior dinamismo à economia.

Perondi acrescentou que é preciso, antes de qualquer coisa, valorizar o capital humano. “As pessoas que trabalham no SUS precisam estar bem para atender quem procura o sistema. Vamos aumentar os recursos, mas o governo precisa estabelecer metas, aumentar número de auditores, de controladores, melhorar enfim a gestão”, explicou.

Entre as alternativas de financiamento, Perondi citou a regulamentação do jogo, defendida pelo líder do governo, Cândido Vaccarezza (PT-SP). Essa regulamentação renderia no mínimo R$ 12 bilhões aos cofres públicos. Ele citou também a alternativa de aumento dos impostos sobre o cigarro ou bebidas alcoólicas, que poderia render R$ 6 bilhões e R$ 12 bilhões, respectivamente.

Jogos
Vários internautas questionaram sobre a possibilidade de se legalizar os bingos no País. O leitor Xaxa quis saber se, além dessa proposta, existem outras capazes de financiar os investimentos. Perondi respondeu que em algum momento o Brasil terá que encarar esse assunto. “Nas Américas, só Cuba e Brasil não têm os bingos regulamentados”, explicou.

Uma alternativa, levantada pelo leitor Fábio, seria a regulamentação do imposto sobre grandes fortunas, mas Perondi confessou que ainda há dúvidas se essa taxação traria o efeito esperado ou se incentivaria uma nova forma de evasão. Das opções de taxações levantadas, o leitor Josué quis saber quais Perondi considerava mais viáveis. O parlamentar respondeu que o mais viável mesmo é convencer os parlamentares de que esses recursos já existem. “A arrecadação é extraordinária, e o governo precisa fazer escolhas”, reforçou.

Íntegra da proposta:

Da Redação/ JMP
 Foto: Saulo Cruz
Agência Câmara de Notícias

 

Notícias

Estatuto da família

  Deveres do casamento são convertidos em recomendações Por Regina Beatriz Tavares da Silva   Foi aprovado em 15 de dezembro de 2010, pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados, um projeto de lei intitulado Estatuto das Famílias (PL 674/2007 e...

Casal gay ganha guarda provisória de criança

Extraído de JusBrasil Casal gay ganha guarda de menino no RGS Extraído de: Associação do Ministério Público de Minas Gerais - 1 hora atrás Uma ação do Ministério Público de Pelotas, que propõe a adoção de um menino de quatro anos por um casal gay, foi acolhida ontem pela juíza substituta da Vara...

Mais uma revisão polêmica na Lei do Inquilibato

Mais uma revisão polêmica na Lei do Inquilibato A primeira atualização da Lei do Inquilinato (8.245/91) acabou de completar um ano com grande saldo positivo, evidenciado principalmente pela notável queda nas ações judiciais por falta de pagamento do aluguel. (Outro efeito esperado era a redução...

Recebimento do DPVAT exige efetivo envolvimento do veículo em acidente

24/02/2011 - 08h08 DECISÃO Recebimento do DPVAT exige efetivo envolvimento do veículo em acidente É indevida a indenização decorrente do seguro de danos pessoais causados por veículos automotores de via terrestre, o DPVAT, se o acidente ocorreu sem o envolvimento direto do veículo. A decisão é da...

Função delegada

  Vistoria veicular por entidade privada não é ilegal Por Paulo Euclides Marques   A vistoria de veículos terrestres é atividade regulada pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran), em atendimento ao disposto nos artigos 22, inciso III, e artigos 130 e 131 do Código de Trânsito...

Compreensão do processo

  Relações de trabalho exigem cuidado com contrato Por Rafael Cenamo Juqueira     O mercado de trabalho passou por determinadas alterações conceituais nos últimos anos, as quais exigiram do trabalhador uma grande mudança de pensamento e comportamento, notadamente quanto ao modo de...